Dívida de poesia

“Na correria das linhas o tempo pula vírgulas e rimas.
A rotina dissipada e mal encontrada.

Ampulheta dos fazeres nos deixa sem dizeres.
Em pé olhando pro céu às vezes falta papel.

Na minhoca de metal escrevo na mente, no portal.
Caminho filosofias enquanto disseco as agonias.

Por mais poetizar em tempos de azar.
Na ponta dos dedos as memórias, sementes e histórias.”

Vagner Rodolfo – 4/7/2017

Reforma da morte

“Trabalhar irá virar dissidência
uma vida de perdição
com 49 anos de contribuição
a tal Disforma da Previdência.

Desde cedo bato o ponto da batalha
o INSS persegue a rapinar
minha esperança de aposentar
idade mínima de 65 anos na navalha.

Mulheres jornada dupla
direrencial da vida dura.
Merecem justiça diferenciada
um descanso na velhice antes de mais nada.”

Vagner Rodolfo – 14/03/2017

Cameladas 2016

“Mais um ano de andanças, projetos e mudanças.
Fomos abençoados em Carrancas.

Com muito ou pouco no bolso não temos vergonha.
Da Prainha Branca a Fernando de Noronha.

Fazemos do dia a dia muitos roteiros.
Nem acredito que estivemos na Chapada dos Veadeiros.

A barraca como a casa dos nossos sonhos.
Fui parar de novo na Praia do Sono.

Com a mochila nas costas rodamos por horas.
Trilhas, caminhadas e pegadas em Ibitipoca.

Nem no inverno não nos encurvamos ao deleite.
No amamos com frio em Monte Verde.

Com muitos destinos durante o ano não nos conformamos de fato.
E no Ano novo ainda temos Arraial do Cabo…”

Vagner Rodolfo  – 23/12/2016

Dias de cinza

É como algo que me corrói.
Aquele filtro da mera ilusão.
Quatro mil substâncias direto no pulmão.
Não em você, mas em mim dói.

A chama que acende é a mesma que elimina.
A fumaça passiva que me persegue.
Orar mais pelo que me entristesse.
DDT, Polônio, Alcatrão, Chumbo, Nicotina…

Glamour da moda americana.
Droga da ansiedade.
Segrega cada vez mais a sociedade.
Polui e degrada a vida humana.

Vagner Rodolfo – 18/11/2016

Crianças

As vejo correndo com energia.
Muitas em busca da vida.
Com gritos, cantos e sorrisos.
Fazem do intervalo o momento de espírito.

Desenham a esperança no papel.
Imagens da sua realidade.
Sonhos apesar da adversidade.
Mas com o colorido do céu.

As crianças são os que fomos,
aquilo que queríamos ser:
viver leve com dever.

Vagner Rodolfo – 30/11/2016

CEU

“Peguei a trilha que tanto busquei,
que o fardo não me faça apagado,
devo cada dia achar algo inesperado,
buscar o horizonte que sempre sonhei.

Iniciar um ciclo de esperança,
idealizar caminhos mais largos,
seguir a luz sem encargos,
resultado de minha perseverança.

Diziam que o céu era distante,
falaram que era pra poucos,
só para os escolhidos,
hoje vejo a comunidade como o bem coletivo.”

Vagner Rodolfo – 21/07/2016